top of page

Pernas tortas: quando é normal e quando investigar

Foto do escritor: IA Editorial
IA Editorial
14 de set.
6 min de leitura

Atualizado: 29 de set.

Pernas tortas: quando o formato das pernas é normal e quando pode indicar um problema? A resposta depende principalmente da idade, da simetria do alinhamento, da presença de dor e do impacto sobre a marcha e as atividades diárias.

O termo popular “pernas tortas” pode descrever situações bastante diferentes. Algumas pessoas percebem os joelhos mais afastados quando encostam os pés. Outras notam os joelhos encostando enquanto os tornozelos permanecem separados. Há também quem passe a observar uma mudança progressiva na vida adulta, acompanhada por dor no joelho, limitação para caminhar ou desgaste articular.

Nem todo desalinhamento precisa de tratamento. Porém, quando o formato das pernas está associado a sintomas, piora com o tempo ou interfere na mobilidade, a avaliação ortopédica permite identificar a causa e definir a conduta mais adequada.

Pernas tortas: quando o alinhamento pode ser normal

Na infância, o eixo das pernas muda naturalmente ao longo do crescimento. Bebês frequentemente apresentam as pernas arqueadas, condição chamada de geno varo. À medida que começam a andar, esse arqueamento tende a diminuir. Mais adiante, é comum ocorrer uma fase em que os joelhos parecem se aproximar mais um do outro, conhecida como geno valgo.

Em muitas crianças, essa evolução faz parte do desenvolvimento esperado e se ajusta progressivamente até aproximadamente os 7 anos. O ponto central não é apenas a aparência da perna, mas o conjunto: idade da criança, grau do desalinhamento, simetria entre os lados, evolução ao longo dos meses e presença ou ausência de sintomas.

Em adultos, uma pequena variação no eixo das pernas também pode ser uma característica individual, presente há muitos anos e sem provocar dor ou limitação. Se a pessoa caminha normalmente, mantém a mesma conformação corporal desde sempre e não apresenta inchaço, instabilidade ou dificuldade funcional, nem sempre há um problema ortopédico relevante.

Ainda assim, observar não significa ignorar. O alinhamento deve ser investigado quando há mudança recente, piora perceptível ou impacto nas atividades que antes eram realizadas sem dificuldade.

Geno varo e geno valgo: o que esses termos significam

O geno varo ocorre quando os joelhos ficam mais afastados entre si ao aproximar os tornozelos. É o aspecto frequentemente descrito como pernas arqueadas ou “em parênteses”. Esse padrão pode aumentar a sobrecarga na parte interna do joelho, especialmente quando é acentuado e persiste ao longo dos anos.

Já o geno valgo acontece quando os joelhos se aproximam ou se encostam, enquanto os tornozelos ficam afastados. Popularmente, algumas pessoas chamam esse padrão de “joelhos para dentro”. Quando importante, ele pode concentrar maior carga na região externa da articulação e alterar a mecânica da marcha.

Essas definições ajudam a entender o problema, mas não fecham um diagnóstico. Duas pessoas podem ter um alinhamento semelhante visualmente e necessidades totalmente diferentes. A indicação de acompanhamento, exames ou tratamento depende da avaliação individualizada.

Quando pernas tortas podem indicar um problema ortopédico

O desalinhamento merece atenção quando foge do padrão esperado para a fase de crescimento, é assimétrico ou vem acompanhado de sinais clínicos. Em crianças, um arqueamento intenso que persiste, piora depois do início da marcha ou aparece apenas em uma perna deve ser avaliado. Também é necessário investigar quando há baixa estatura, dor, quedas frequentes ou outras alterações do desenvolvimento.

Em adultos, o aparecimento gradual de pernas arqueadas ou joelhos voltados para dentro pode estar relacionado ao desgaste progressivo da cartilagem, especialmente à artrose do joelho. À medida que uma área da articulação sofre mais desgaste, o eixo pode se modificar, criando um ciclo de sobrecarga e dor.

Lesões antigas também podem ter participação. Fraturas que consolidaram com alteração de eixo, sequelas de lesões ligamentares, instabilidade crônica e alterações ósseas podem modificar a distribuição de peso sobre os joelhos. Em alguns casos, o paciente nota primeiro a dor ao caminhar, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé, e só depois percebe que o formato das pernas mudou.

Outras causas possíveis incluem doenças metabólicas ósseas, alterações do crescimento e condições inflamatórias. Por isso, não é adequado atribuir qualquer desalinhamento apenas à genética ou à idade sem uma avaliação clínica.

Sinais que justificam consulta com ortopedista

Procure avaliação quando o formato das pernas vier acompanhado de dor recorrente no joelho, inchaço, sensação de falseio, estalos dolorosos ou limitação para caminhar. A investigação também é indicada se houver dificuldade crescente para subir e descer escadas, redução da distância que consegue caminhar ou desvio que parece estar progredindo.

Nas crianças, merecem atenção especial o desalinhamento muito evidente após a idade em que seria esperado ajuste espontâneo, a diferença entre os lados e a piora progressiva. Em adolescentes e adultos, dor localizada em apenas um compartimento do joelho pode sugerir que o eixo está contribuindo para uma sobrecarga específica.

A dor não deve ser interpretada isoladamente. Há pessoas com desalinhamento importante e poucos sintomas, enquanto outras desenvolvem desconforto mesmo com alterações discretas. O exame físico identifica estabilidade, amplitude de movimento, padrão de marcha e pontos dolorosos, informações que uma fotografia não consegue fornecer.

Como é feita a avaliação do alinhamento das pernas

A consulta começa com a história clínica: quando o paciente percebeu a alteração, se houve trauma, qual é o padrão de dor, quais atividades ficaram limitadas e se existe histórico familiar ou doença prévia. Em seguida, o ortopedista observa a marcha, avalia o eixo dos membros inferiores e examina joelhos, quadris e tornozelos, pois todos participam da forma como a carga é distribuída.

Quando há indicação, radiografias feitas em pé podem mostrar o alinhamento global do membro inferior e a relação entre o desvio e o desgaste articular. Esse detalhe é relevante porque exames realizados deitado nem sempre reproduzem a carga aplicada durante a caminhada. Outros exames podem ser solicitados conforme a suspeita clínica, mas não são necessários em todos os casos.

Em crianças com características típicas do desenvolvimento e sem sinais de alerta, muitas vezes a conduta é apenas acompanhar o crescimento. Exames de imagem sem indicação não trazem benefício e devem ser evitados. Já em adultos com dor e suspeita de artrose ou sequela traumática, a investigação costuma ser mais direcionada para entender a origem da sobrecarga articular.

Há tratamento para pernas tortas?

O tratamento depende da causa, da idade, do grau de deformidade, dos sintomas e dos objetivos de cada paciente. Não se trata a imagem de uma radiografia isoladamente. Trata-se a pessoa, sua dor, sua função e o risco de progressão do problema.

Quando não há dor, limitação ou progressão, o acompanhamento pode ser suficiente. Nos casos em que o desalinhamento está associado a artrose inicial ou sobrecarga do joelho, medidas conservadoras podem ser indicadas para controle da dor, melhora funcional e proteção articular. O planejamento pode incluir orientação sobre atividades, controle de fatores que aumentam a carga articular, medicamentos quando necessários e reabilitação supervisionada.

Órteses podem ter indicação em situações específicas, mas não corrigem todos os tipos de deformidade e não substituem uma avaliação adequada. Em crianças, o uso indiscriminado de aparelhos sem diagnóstico pode atrasar a identificação de condições que exigem outro tipo de cuidado.

Em deformidades estruturais relevantes, progressivas e sintomáticas, especialmente quando há desgaste concentrado em uma região do joelho, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados. A osteotomia é uma técnica que busca corrigir o eixo em pacientes selecionados, redistribuindo a carga na articulação. Quando a artrose é avançada e compromete intensamente a qualidade de vida, a prótese de joelho pode ser uma alternativa para casos bem indicados.

Cirurgia não é a primeira resposta para toda pessoa com pernas tortas. Ela exige indicação criteriosa, análise de exames, avaliação das expectativas e conversa transparente sobre benefícios, limitações e recuperação.

O que evitar ao perceber alteração no formato das pernas

Não é recomendável tentar corrigir um desalinhamento com métodos improvisados, aparelhos comprados sem orientação ou promessas de correção rápida. Em adultos, mudanças estruturais do eixo frequentemente envolvem osso, cartilagem e distribuição de carga, não apenas postura.

Também vale evitar adiar a consulta quando a dor se torna frequente. Quanto antes se entende a causa de uma sobrecarga articular, maior é a possibilidade de planejar medidas adequadas antes que a limitação se torne mais importante.

Perguntas frequentes sobre pernas tortas

Pernas tortas causam artrose no joelho?

Podem aumentar a sobrecarga em uma área específica do joelho e contribuir para a progressão do desgaste, mas não são a única causa de artrose. Idade, peso corporal, lesões anteriores, genética e nível de atividade também influenciam.

Criança com pernas arqueadas precisa usar aparelho?

Nem sempre. Em muitos casos, o arqueamento faz parte do desenvolvimento normal. A necessidade de acompanhamento ou tratamento depende da idade, da intensidade, da simetria e da evolução observada pelo ortopedista.

Adulto pode desenvolver pernas tortas com o passar dos anos?

Sim. A artrose, sequelas de trauma e alterações na distribuição de carga podem modificar gradualmente o eixo do joelho. Quando essa mudança vem com dor ou perda de função, deve ser investigada.

O alinhamento das pernas pode ser corrigido sem cirurgia?

Depende da causa e do objetivo. Medidas conservadoras podem reduzir dor e melhorar a função, mas deformidades ósseas estruturais importantes não costumam desaparecer apenas com tratamentos não cirúrgicos. A cirurgia é considerada somente quando seus benefícios superam os riscos para aquele paciente.

Se você percebeu mudança no formato das pernas, dor persistente ou piora para caminhar, uma avaliação ortopédica pode esclarecer se se trata de uma variação sem gravidade ou de uma condição que merece tratamento. O cuidado mais seguro começa pelo diagnóstico preciso e por decisões compatíveis com a sua rotina, seus sintomas e a saúde dos seus joelhos.

Quer uma avaliação individualizada do seu caso? Agende uma consulta com o Dr. Amir Daher, ortopedista especialista em joelho e coluna, em São Paulo, Taubaté ou Pindamonhangaba.

Comentários


Entre em contato 

Ortopedista especialista – consultas em São Paulo e no Vale do Paraíba.

Entre em contato e agende sua consulta pelo WhatsApp 11 94016-0375

Aviso Legal:
O conteúdo disponibilizado neste site possui caráter exclusivamente informativo e ilustrativo. Não se destina a substituir diagnósticos, tratamentos ou prescrições realizadas por profissionais médicos habilitados. Recomenda-se que, em caso de quaisquer dúvidas ou questões relacionadas à saúde, o usuário consulte sempre um profissional qualificado para orientações e providências adequadas.

  • Instagram
  • Facebook
Selo dourado com o logotipo do Google e a frase 5 Estrelas no Google, Atendimento Ortopédico de Referência
bottom of page