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Como funciona a artroscopia do joelho na prática

A dúvida sobre como funciona artroscopia do joelho é comum entre pessoas com dor persistente, travamentos, inchaço recorrente ou lesões diagnosticadas em exames. Trata-se de um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, mas sua indicação exige avaliação cuidadosa. O Dr. Amir Daher, ortopedista com Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia, atua com diagnóstico individualizado de doenças e lesões do joelho, considerando exames, sintomas, rotina e objetivos de cada paciente.

A artroscopia não é uma solução automática para qualquer dor no joelho. Em muitos casos, o tratamento conservador é a primeira escolha. Quando há uma lesão que pode ser tratada cirurgicamente e que compromete a função ou provoca sintomas persistentes, a artroscopia pode ser uma alternativa segura e eficaz.

O que é a artroscopia do joelho?

A artroscopia é uma cirurgia realizada por pequenas incisões ao redor do joelho. Por uma delas, o ortopedista introduz uma câmera fina, chamada artroscópio, que transmite imagens ampliadas do interior da articulação para um monitor. Por outras incisões pequenas, são inseridos instrumentos específicos para tratar a alteração identificada.

Esse método permite avaliar estruturas que nem sempre podem ser examinadas diretamente apenas pelo lado externo do joelho, como meniscos, cartilagem, ligamentos e revestimento interno da articulação. Atualmente, a ressonância magnética oferece informações muito detalhadas antes da cirurgia. Por isso, a artroscopia é utilizada principalmente com finalidade terapêutica, e não apenas para confirmar um diagnóstico.

A principal vantagem é acessar a articulação com menor agressão aos tecidos em comparação a uma cirurgia aberta. Ainda assim, é uma cirurgia e envolve anestesia, cuidados no pós-operatório e riscos que precisam ser discutidos de forma transparente.

Como funciona a artroscopia do joelho passo a passo

Antes do procedimento, o paciente passa por avaliação clínica, análise dos exames de imagem e exames pré-operatórios quando necessários. O planejamento cirúrgico depende do problema encontrado. Uma lesão de menisco, por exemplo, pode demandar reparo com sutura ou remoção seletiva da parte lesionada, enquanto uma reconstrução do ligamento cruzado anterior tem etapas e objetivos diferentes.

No dia da cirurgia, é realizada anestesia, cuja modalidade é definida pela equipe médica e anestésica de acordo com o procedimento e as condições de saúde do paciente. Após a preparação do campo cirúrgico, são feitas pequenas incisões, geralmente na parte anterior do joelho.

O artroscópio é introduzido na articulação junto com uma solução líquida estéril, que ajuda a expandir o espaço interno e a melhorar a visualização. A câmera permite que o cirurgião examine cuidadosamente as estruturas articulares e confirme os achados relevantes para o tratamento.

Em seguida, instrumentos delicados são inseridos por outros acessos. Eles podem ser usados para suturar um menisco, regularizar uma lesão instável, remover fragmentos soltos, tratar determinadas alterações da cartilagem ou auxiliar em procedimentos ligamentares. Ao final, o líquido é drenado, as pequenas incisões são fechadas e o joelho recebe curativo.

A duração varia bastante. Uma artroscopia para tratar uma lesão pontual costuma ser mais breve do que uma cirurgia associada à reconstrução ligamentar. O tempo no centro cirúrgico, a necessidade de internação e o retorno às atividades também dependem do tipo de procedimento realizado.

Quais problemas podem ser tratados por artroscopia?

A indicação mais conhecida é a lesão de menisco, especialmente quando há travamento, dor localizada, derrames articulares repetidos ou limitação funcional relacionada à lesão. Sempre que possível e apropriado, preservar o menisco é um objetivo relevante, pois ele contribui para a distribuição das cargas e para a proteção da cartilagem.

A técnica também pode fazer parte do tratamento de lesões do ligamento cruzado anterior, de alguns casos de corpos livres dentro da articulação e de alterações selecionadas da cartilagem. Em situações específicas, pode ser utilizada para tratar inflamações articulares persistentes ou outras alterações internas que tenham correlação clara com os sintomas e os exames.

Por outro lado, nem todo achado na ressonância precisa de cirurgia. Lesões degenerativas do menisco são frequentes com o passar dos anos e podem coexistir com artrose. Se a principal causa da dor for o desgaste articular, uma artroscopia isolada geralmente não resolve o problema de base. Nesses casos, o ortopedista deve avaliar opções não cirúrgicas e outras estratégias de tratamento conforme o grau de artrose, o alinhamento do joelho, a limitação funcional e o perfil do paciente.

Quando a artroscopia pode ser indicada?

A decisão não se baseia apenas na imagem. Há pessoas com alterações no exame e poucos sintomas, que podem ser acompanhadas sem cirurgia. Em outras, o joelho trava, falha durante a caminhada, permanece inchado ou impede atividades importantes apesar do tratamento inicial adequadamente conduzido.

De forma geral, a artroscopia pode ser considerada quando existe uma lesão com potencial de tratamento cirúrgico, sintomas compatíveis e impacto real na qualidade de vida. O nível de atividade também importa. Um atleta com instabilidade após ruptura do LCA pode ter necessidades diferentes das de uma pessoa sedentária com uma lesão degenerativa e dor relacionada à artrose.

Idade, doenças clínicas, histórico de cirurgias, condição da cartilagem e expectativa de retorno às atividades são outros fatores que mudam a indicação. A boa decisão é aquela que equilibra o benefício esperado, os riscos e as alternativas disponíveis.

Riscos e limitações do procedimento

Embora seja considerada uma técnica minimamente invasiva, a artroscopia pode causar dor e inchaço temporários após a cirurgia. Como em outros procedimentos, existem riscos de infecção, sangramento, trombose, rigidez articular, lesão de estruturas próximas e complicações anestésicas. Essas ocorrências não são a regra, mas devem ser explicadas antes da operação.

Também há o risco de o resultado ser limitado quando os sintomas não decorrem apenas da lesão tratada. Um paciente com desgaste avançado da cartilagem, por exemplo, pode continuar apresentando dor mesmo após o tratamento de uma lesão meniscal associada. Por isso, alinhar expectativas é parte central do planejamento.

Sinais como febre, dor que piora de forma intensa, secreção na ferida, aumento importante do inchaço, falta de ar ou dor na panturrilha exigem contato médico imediato após a cirurgia.

Como é a recuperação após a artroscopia?

A recuperação varia conforme o que foi realizado dentro do joelho. Após alguns procedimentos simples, a descarga de peso e a caminhada podem ser retomadas precocemente, seguindo a orientação médica. Já a sutura de menisco e a reconstrução ligamentar exigem maior proteção inicial e um plano de reabilitação individualizado.

Nos primeiros dias, é comum haver edema, desconforto e redução temporária dos movimentos. O controle da dor, os cuidados com o curativo, o uso correto de medicamentos prescritos e o acompanhamento das consultas são essenciais para uma recuperação segura. Quando indicada, a reabilitação orientada tem papel importante na recuperação de mobilidade, força e controle do joelho.

O retorno ao trabalho depende da função exercida. Atividades administrativas costumam permitir retorno mais rápido do que funções que exigem longos períodos em pé, deslocamentos frequentes, agachamentos ou carga física. O retorno ao esporte, por sua vez, não deve ser decidido apenas pelo tempo passado desde a cirurgia, mas pela recuperação funcional e pela liberação do especialista.

Perguntas frequentes sobre artroscopia do joelho

A artroscopia do joelho deixa cicatriz?

As incisões são pequenas, e as cicatrizes tendem a ser discretas. A aparência final também depende da cicatrização individual, dos cuidados locais e da ocorrência ou não de intercorrências.

A artroscopia cura a artrose?

Não. A artroscopia não reverte o desgaste da cartilagem causado pela artrose. Ela pode ter indicação em situações específicas, mas não é tratamento rotineiro para dor decorrente apenas de artrose degenerativa.

Todo menisco rompido precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões meniscais podem ser tratadas sem cirurgia, especialmente quando não causam travamento, instabilidade mecânica ou limitação persistente. A decisão depende do tipo, da localização e da extensão da lesão, além dos sintomas do paciente.

Quanto tempo dura o afastamento após a cirurgia?

Não há um prazo único. Ele pode variar de dias a semanas, ou ser maior em cirurgias associadas a reconstruções ligamentares ou sutura do menisco. A atividade profissional e o procedimento realizado influenciam diretamente essa definição.

É possível operar os dois joelhos ao mesmo tempo?

Essa possibilidade precisa ser analisada com cautela. Em geral, a decisão considera o tipo de lesão, a segurança anestésica, a necessidade de apoio para caminhar e a capacidade de recuperação no pós-operatório.

Dor no joelho não deve ser tratada apenas pelo resultado de uma ressonância. Uma avaliação ortopédica especializada permite identificar o que realmente está causando os sintomas e definir se a artroscopia é indicada, ou se existe uma alternativa mais adequada para preservar mobilidade e qualidade de vida.

 
 
 

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Dr. Amir Daher, ortopedista especialista em joelho e coluna
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