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Artrose do quadril: sintomas, causas e tratamento

A dor na virilha ao levantar da cadeira, calçar os sapatos ou entrar no carro costuma ser um sinal que merece atenção. Embora muitas pessoas chamem qualquer desconforto na região de “dor no quadril”, a artrose do quadril tem características próprias e pode comprometer progressivamente a caminhada, o sono e a autonomia nas tarefas diárias.

A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa da articulação. No quadril, ela envolve alterações na cartilagem que recobre a cabeça do fêmur e o acetábulo, estrutura da bacia onde o fêmur se encaixa. Não se trata apenas de um “desgaste natural” inevitável com a idade. Há fatores individuais, mecânicos e clínicos que influenciam seu aparecimento, sua evolução e o impacto sobre a qualidade de vida.

O que acontece na artrose do quadril

Em uma articulação saudável, a cartilagem permite que os ossos deslizem com baixo atrito durante os movimentos. Na artrose, ocorrem mudanças nessa cartilagem, no osso abaixo dela, na cápsula articular e nos músculos ao redor do quadril. O resultado pode ser dor, rigidez e redução da amplitude de movimento.

A evolução não é igual para todas as pessoas. Há pacientes com alterações importantes na radiografia e poucos sintomas, enquanto outros têm dor relevante mesmo com exames menos expressivos. Por isso, a decisão sobre o tratamento não deve se basear somente na imagem: os sintomas, o exame físico, o nível de atividade, as doenças associadas e os objetivos de cada paciente também precisam ser considerados.

Sintomas mais comuns da artrose do quadril

A dor mais típica aparece na virilha, mas ela pode ser percebida na parte lateral do quadril, na nádega ou irradiar para a coxa e, em alguns casos, até o joelho. Isso pode confundir o diagnóstico, sobretudo quando a pessoa já apresenta dor lombar ou alguma alteração no joelho.

No início, o desconforto pode ocorrer após caminhadas mais longas, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé. Com a progressão, atividades simples como caminhar dentro de casa, vestir meias, cruzar as pernas ou entrar e sair de um automóvel podem se tornar limitadas. Rigidez após períodos de repouso, redução da mobilidade e mancar também são queixas frequentes.

A dor noturna ou em repouso merece avaliação, especialmente quando passa a prejudicar o sono. Ela não significa, por si só, que seja necessária uma cirurgia, mas indica que a condição está causando maior repercussão funcional e deve ser investigada adequadamente.

Quando a dor pode não vir do quadril

Nem toda dor nessa região é artrose. Problemas na coluna lombar podem provocar dor irradiada, formigamento ou sensação de choque para a perna. Alterações em tendões e bursas ao redor do quadril, lesões musculares, doenças inflamatórias e outras condições também entram no diagnóstico diferencial.

Sinais como febre, mal-estar importante, incapacidade súbita de apoiar a perna, dor intensa após queda, perda de força ou alterações urinárias e intestinais exigem avaliação médica sem demora. Esses sintomas não devem ser atribuídos automaticamente à artrose.

Quais são as causas e os fatores de risco

A idade é um fator associado à artrose, mas não explica tudo. Algumas pessoas desenvolvem a doença mais cedo por características anatômicas do quadril, como displasia, ou por alterações prévias na articulação. Fraturas, luxações, doenças da infância que afetam o quadril e certos impactos repetitivos também podem contribuir.

O excesso de peso pode aumentar a sobrecarga mecânica e dificultar o controle dos sintomas, embora a artrose não seja causada apenas por isso. Histórico familiar, fraqueza muscular, alterações do alinhamento dos membros e doenças metabólicas ou inflamatórias podem ter participação em situações específicas.

Também é necessário evitar uma conclusão precipitada de que uma vida ativa “estragou” o quadril. A atividade física orientada costuma ser benéfica para a saúde articular e geral. O que varia é a tolerância de cada pessoa à carga, especialmente quando já existem alterações estruturais, dor persistente ou histórico de lesões.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada. O ortopedista avalia onde dói, quando a dor aparece, quais movimentos a agravam, como ela interfere na rotina e se existem sintomas na coluna, no joelho ou em outras articulações.

No exame físico, são observados a marcha, a mobilidade do quadril, a força, o alinhamento e pontos dolorosos. A radiografia costuma ser o exame inicial mais útil para identificar redução do espaço articular, formação de osteófitos e outras alterações compatíveis com artrose.

A ressonância magnética não é obrigatória em todos os casos. Ela pode ser solicitada quando há dúvida diagnóstica, suspeita de lesões associadas ou sintomas que não correspondem ao achado radiográfico. Exames de sangue podem ser necessários quando o quadro sugere doença inflamatória, infecciosa ou outra causa não degenerativa.

Tratamento da artrose do quadril: escolhas individualizadas

O objetivo do tratamento é reduzir a dor, preservar ou recuperar a função e permitir que a pessoa retome, dentro do possível, as atividades que considera importantes. Não existe uma única conduta adequada para todos os pacientes.

Nas fases iniciais ou moderadas, a abordagem geralmente é conservadora. Ela pode incluir orientação sobre ajuste de atividades, controle de fatores que aumentam a sobrecarga articular, reabilitação quando indicada e uso criterioso de medicamentos para dor. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar em períodos de piora, mas precisam de prescrição e acompanhamento médico, principalmente em pessoas com problemas renais, gástricos, cardiovasculares ou que usam outros medicamentos.

A manutenção de movimento é desejável, mas o limite deve ser definido pelos sintomas e pela avaliação profissional. Repouso absoluto prolongado tende a reduzir a capacidade funcional. Em contrapartida, insistir em atividades que geram dor intensa ou persistente pode piorar a limitação. Encontrar esse equilíbrio faz parte do plano terapêutico.

Infiltrações: quando podem ser consideradas

Em situações selecionadas, infiltrações no quadril podem ser discutidas como uma medida para controle temporário da dor e para facilitar a retomada funcional. O tipo de substância, a técnica e a indicação dependem do diagnóstico e das características do paciente. Por se tratar de uma articulação profunda, o procedimento costuma exigir orientação por imagem para maior precisão.

É fundamental ter expectativas realistas. Infiltrações não recompõem a cartilagem perdida e não eliminam a necessidade de acompanhamento. Seus resultados variam, e existem riscos, como infecção, reação local e efeitos relacionados à medicação utilizada. A decisão deve ser compartilhada após avaliação individual.

Quando a cirurgia pode ser indicada

A cirurgia não é definida apenas pelo grau da radiografia ou pela idade. Ela pode ser considerada quando a dor persiste apesar do tratamento conservador bem conduzido, há perda relevante de mobilidade e as limitações passam a comprometer de forma importante a vida diária, o trabalho ou o sono.

Nos casos avançados, a artroplastia total do quadril, conhecida como prótese de quadril, é uma alternativa consolidada para pacientes com indicação adequada. O procedimento substitui as superfícies articulares comprometidas por componentes protéticos. Em geral, busca aliviar a dor e melhorar a função, mas envolve planejamento, período de recuperação e riscos cirúrgicos que precisam ser explicados com transparência.

Entre os riscos possíveis estão infecção, trombose, sangramento, luxação da prótese e necessidade de procedimentos adicionais ao longo do tempo. Esses eventos não ocorrem na maioria dos pacientes, mas devem fazer parte de uma conversa responsável antes de qualquer decisão. A escolha do momento cirúrgico exige avaliar saúde geral, autonomia, rede de apoio e expectativas funcionais.

O que fazer diante de uma dor persistente no quadril

Se a dor dura semanas, limita a caminhada ou faz com que você mude a forma de andar, vale procurar avaliação ortopédica. Chegar à consulta com informações sobre quando os sintomas começaram, quais atividades são mais difíceis e quais medicamentos já foram utilizados ajuda a tornar a investigação mais objetiva.

Para pacientes que vivem em São Paulo ou no Vale do Paraíba, uma consulta especializada permite diferenciar se a origem da dor está de fato no quadril, na coluna ou em outra estrutura do aparelho locomotor. O diagnóstico preciso evita tratamentos desnecessários e orienta escolhas mais seguras.

Conviver com dor não deve ser tratado como uma consequência obrigatória do envelhecimento. Mesmo quando a artrose do quadril não pode ser revertida, há caminhos para controlar os sintomas, manter a mobilidade e decidir com segurança se e quando um procedimento é realmente necessário.

 
 
 

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Dr. Amir Daher, ortopedista especialista em joelho e coluna
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