
Artrose do joelho e as opções antes da cirurgia
- IA Editorial

- há 1 dia
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A dor ao levantar da cadeira, subir escadas ou caminhar por alguns minutos pode parecer apenas um sinal de idade ou de excesso de esforço. Porém, quando se torna frequente, vem acompanhada de inchaço, rigidez ou perda de confiança para apoiar a perna, merece investigação. A artrose do joelho é uma causa comum desses sintomas, mas não é uma sentença automática de cirurgia nem uma condição que deva ser aceita sem avaliação.
Ela exige uma análise que vá além do resultado de uma radiografia. O tratamento correto depende da intensidade da dor, da limitação nas atividades, do alinhamento da perna, das estruturas envolvidas e das expectativas de cada paciente.
O que acontece na artrose do joelho?
A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença degenerativa da articulação. No joelho, há um desgaste progressivo da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos e permite o movimento com baixo atrito. Com o passar do tempo, podem ocorrer alterações no osso abaixo da cartilagem, inflamação da membrana articular, formação de osteófitos e redução do espaço articular.
O termo “desgaste” ajuda a entender parte do processo, mas simplifica demais a doença. A dor não depende somente da quantidade de cartilagem observada no exame. Há pessoas com alterações importantes na imagem e poucos sintomas, enquanto outras apresentam dor relevante mesmo com artrose aparentemente menos avançada. Por isso, tratar apenas a radiografia não é uma boa prática médica.
A idade aumenta a frequência da artrose, mas ela não surge exclusivamente por envelhecimento. Histórico de lesões de menisco ou ligamentos, fraturas que atingiram a articulação, desalinhamento das pernas, excesso de carga corporal, atividades repetitivas e predisposição individual podem contribuir para o seu desenvolvimento. Em pacientes mais jovens, uma lesão prévia no joelho pode ser um fator particularmente relevante.
Quais sintomas merecem atenção?
A dor costuma piorar com a carga e melhorar parcialmente com o repouso, mas esse padrão varia. No início, pode aparecer somente após caminhadas mais longas ou ao subir e descer escadas. Com a evolução, tarefas simples, como ficar em pé, entrar no carro ou dormir em determinadas posições, podem se tornar desconfortáveis.
Também são frequentes rigidez após períodos parado, inchaço recorrente, sensação de estalos, redução da amplitude de movimento e dificuldade para dobrar ou esticar completamente o joelho. Alguns pacientes relatam falseio ou insegurança ao caminhar. Esse sintoma pode decorrer de dor, fraqueza muscular, alterações mecânicas ou instabilidade e precisa ser avaliado com atenção.
Nem todo estalo significa artrose, e nem toda dor no joelho é causada por desgaste articular. Lesões meniscais, alterações na patela, tendinites, doenças inflamatórias e até dores irradiadas podem causar sintomas semelhantes. A consulta ortopédica ajuda a diferenciar essas situações e a evitar tratamentos inadequados.
Quando procurar avaliação sem adiar?
Dor persistente por semanas, aumento frequente de volume no joelho, limitação progressiva para andar ou apoiar a perna e deformidade visível justificam uma avaliação especializada. Após um trauma, dor intensa, incapacidade de sustentar o peso do corpo, febre, vermelhidão ou calor importante na articulação exigem atendimento mais rápido, pois podem indicar situações que não devem ser tratadas como artrose habitual.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela história clínica. Entender quando a dor aparece, quais movimentos a agravam, se houve lesão anterior e como o problema afeta o trabalho, o sono, o lazer e a autonomia é tão relevante quanto solicitar exames.
No exame físico, o ortopedista avalia marcha, alinhamento dos membros, presença de derrame articular, pontos dolorosos, amplitude de movimento, estabilidade ligamentar e função do joelho. A radiografia costuma ser o exame inicial mais útil para identificar redução do espaço articular, osteófitos e desalinhamentos. Em algumas situações, radiografias feitas com o paciente em pé fornecem informações fundamentais sobre a distribuição de carga na articulação.
A ressonância magnética não é obrigatória para todos os casos de artrose. Ela pode ser indicada quando há dúvida diagnóstica, suspeita de lesões associadas ou sintomas que não correspondem ao que aparece na radiografia. Solicitar exames de forma criteriosa evita custos, ansiedade e interpretações que não modificam a conduta.
Tratamento da artrose do joelho: por que ele é individualizado?
O objetivo não é apenas reduzir a dor por alguns dias. É preservar mobilidade, melhorar a capacidade de realizar as atividades importantes para o paciente e retardar, quando possível, a progressão da incapacidade. Não há uma única solução que funcione igualmente para todos.
Em quadros leves ou moderados, a conduta costuma começar com medidas conservadoras. O controle de fatores que aumentam a sobrecarga articular, a adaptação temporária de atividades que provocam dor e um programa de reabilitação orientado quando indicado podem ajudar na função do joelho. A redução de peso, para quem tem indicação clínica, pode diminuir a carga exercida sobre a articulação, mas deve ser abordada com respeito e dentro de um plano de saúde viável para cada pessoa.
Medicamentos para dor e inflamação podem ser utilizados em situações selecionadas, sempre considerando idade, pressão arterial, função renal, histórico gastrointestinal e uso de outros remédios. A automedicação, especialmente com anti-inflamatórios por períodos prolongados, traz riscos e não trata a causa do problema.
Órteses, bengalas ou outros recursos de apoio podem ser úteis em casos específicos, sobretudo quando há desalinhamento ou dificuldade importante para caminhar. A indicação deve ser individual, pois um recurso inadequado pode não trazer benefício e até piorar o desconforto.
Infiltrações ajudam?
As infiltrações articulares podem fazer parte do tratamento da artrose do joelho, mas não são indicadas de forma automática. Dependendo do quadro, podem ser usados medicamentos com objetivo anti-inflamatório ou substâncias voltadas ao alívio dos sintomas. A resposta varia entre os pacientes e o benefício costuma ser temporário.
É essencial discutir expectativas realistas. Infiltrações não regeneram uma cartilagem já perdida nem substituem mudanças necessárias no manejo da doença. Também possuem riscos, como dor transitória, reação local, infecção - embora incomum - e contraindicações em determinadas condições clínicas. A técnica, o produto empregado e o momento de indicar o procedimento devem ser definidos após avaliação médica.
Há ainda terapias chamadas regenerativas, frequentemente divulgadas como solução para qualquer desgaste. Algumas abordagens podem ser consideradas em contextos selecionados, mas não existe evidência de que revertam de modo previsível a artrose avançada ou dispensem tratamentos consolidados. Informação clara protege o paciente de promessas incompatíveis com o estágio da doença.
Quando a cirurgia é considerada?
Cirurgia não é definida apenas pelo grau da artrose no exame. Ela passa a ser considerada quando a dor e a limitação persistem apesar de um tratamento conservador bem conduzido, comprometendo de maneira relevante a qualidade de vida. A decisão também leva em conta idade, padrão de desgaste, alinhamento, nível de atividade, doenças associadas e objetivos pessoais.
A artroscopia tem indicações restritas na artrose. Ela não é, em geral, uma solução para “limpar” uma articulação com desgaste difuso. Pode ter papel quando há lesões mecânicas associadas bem definidas, como bloqueio por fragmento solto, mas essa indicação deve ser criteriosa.
Em determinados casos, procedimentos para corrigir o alinhamento podem ser discutidos, sobretudo quando o desgaste está concentrado em uma parte do joelho. Já na artrose avançada, com dor incapacitante e comprometimento importante da função, a prótese parcial ou total de joelho pode oferecer melhora significativa da dor e da mobilidade para pacientes adequadamente selecionados.
A prótese não deve ser tratada como fracasso nem como escolha apressada. Trata-se de uma cirurgia de grande porte, com preparo, riscos e período de recuperação, mas que pode representar uma alternativa segura e eficaz quando os tratamentos não cirúrgicos deixam de atender às necessidades do paciente.
Decidir com informação muda o caminho do tratamento
Conviver com dor no joelho não precisa significar abandonar caminhadas, trabalho, viagens ou momentos em família. Ao mesmo tempo, esperar uma solução única e imediata costuma gerar frustração. A melhor estratégia é entender a origem dos sintomas e construir uma conduta proporcional ao problema.
Uma avaliação ortopédica especializada permite discutir alternativas com base em exames, função e objetivos reais, sem indicar cirurgia antes da hora e sem prolongar sofrimento quando ela se torna necessária. Em São Paulo e no Vale do Paraíba, o Dr. Amir Daher realiza avaliação individualizada para pacientes com dor e artrose no joelho, priorizando decisões seguras e fundamentadas em evidências.
O passo mais útil é não normalizar uma limitação que vem crescendo: dor persistente merece diagnóstico preciso e um plano de cuidado compatível com a sua vida.




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