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Hérnia de disco L5-S1: sintomas e quando operar

Atualizado: 10 de ago.

A dor que começa na lombar e desce pela nádega até a perna costuma gerar uma dúvida imediata: seria uma hérnia? Na hérnia de disco L5-S1, quais são os sintomas e quando operar são perguntas centrais, mas a resposta depende da avaliação clínica, do exame neurológico e da correlação com os exames de imagem. Nem toda alteração vista em uma ressonância explica a dor, e a maioria das pessoas não precisa de cirurgia.

A região L5-S1 fica na transição entre a coluna lombar e o sacro, na base da coluna. Por suportar cargas elevadas e participar de movimentos como flexão, rotação e levantar peso, esse é um dos níveis mais frequentemente envolvidos em hérnias de disco.


Infográfico sobre hérnia de disco L5-S1, sintomas, compressão da raiz S1 e quando operar, com ilustrações anatômicas.

O que acontece na hérnia de disco L5-S1

Entre as vértebras existem discos intervertebrais, estruturas que funcionam como amortecedores. Cada disco tem uma parte externa mais resistente e um centro gelatinoso. Com o envelhecimento natural, sobrecarga repetitiva ou uma lesão, o disco pode sofrer fissuras e parte de seu conteúdo pode se projetar para fora.

No nível L5-S1, essa projeção pode irritar ou comprimir estruturas nervosas, especialmente a raiz de S1. É essa irritação que pode causar dor irradiada, formigamento ou perda de força. Entretanto, há pessoas com hérnia no exame e sem sintomas, assim como há dores lombares importantes causadas por outras condições. Por isso, a ressonância magnética não deve ser interpretada isoladamente.

Sintomas de hérnia de disco L5-S1

O quadro mais característico é a ciatalgia, isto é, a dor que percorre o trajeto do nervo ciático. Ela pode ser em queimação, choque, pontada ou sensação de repuxamento e, em geral, predomina em apenas uma perna. Tosse, espirro, permanecer sentado por muito tempo e determinados movimentos podem intensificar o incômodo.

Quando a raiz S1 está envolvida, a dor pode sair da lombar ou da nádega, passar pela parte de trás da coxa e da panturrilha e chegar à lateral ou à planta do pé. Também podem ocorrer dormência e formigamento nessa região.

A perda de força merece atenção na avaliação. Algumas pessoas percebem dificuldade para ficar na ponta dos pés, subir escadas, caminhar de forma habitual ou empurrar o pé contra o chão. O reflexo do tornozelo também pode estar reduzido ao exame médico. Esses sinais não confirmam sozinhos uma hérnia, mas ajudam a identificar se existe comprometimento neurológico e qual raiz pode estar afetada.

Nem toda hérnia L5-S1 provoca sintomas típicos. Em alguns casos, a manifestação é principalmente dor lombar. Em outros, a dor na perna é mais relevante que a dor nas costas. A intensidade também varia: uma hérnia menor pode causar muita dor se estiver em uma posição que irrite a raiz nervosa, enquanto uma alteração maior pode ser pouco sintomática.

Sinais que exigem avaliação médica imediata

Dor forte, por si só, é muito desconfortável, mas não significa automaticamente urgência cirúrgica. Há, porém, situações que precisam de avaliação rápida em pronto atendimento: perda nova ou progressiva de força na perna, dormência na região entre as pernas ou ao redor dos genitais, dificuldade para iniciar a urina, retenção urinária ou perda de controle da urina e das fezes.

Esses achados podem sugerir uma compressão neurológica importante, incluindo a síndrome da cauda equina, situação incomum, mas que requer investigação urgente. Febre, perda de peso não explicada, histórico de câncer, trauma relevante e dor noturna persistente também devem ser informados ao médico, pois ampliam as hipóteses que precisam ser consideradas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa detalhada e pelo exame físico. O ortopedista avalia o padrão da dor, a sensibilidade, a força muscular, os reflexos e testes que reproduzem a irradiação para a perna. Essa etapa é decisiva para diferenciar uma possível compressão radicular de outras causas de dor, como alterações do quadril, problemas musculares, estenose do canal vertebral ou neuropatias periféricas.

A ressonância magnética é o exame mais utilizado para observar discos, raízes nervosas e outras estruturas da coluna. Ela costuma ser indicada quando os sintomas persistem, quando há déficit neurológico, quando se considera um procedimento ou quando existem sinais de alerta. Radiografias podem complementar a investigação em determinados casos, principalmente para avaliar alinhamento e estabilidade óssea.

O objetivo não é apenas encontrar uma hérnia. É verificar se a imagem corresponde exatamente ao lado, ao nível e aos sintomas apresentados pela pessoa. Tratar uma imagem, sem essa correlação, pode levar a decisões inadequadas.

O tratamento conservador costuma ser o primeiro passo

Na ausência de urgência neurológica, o tratamento inicial geralmente é conservador. Estudos clínicos e diretrizes mostram que muitas hérnias lombares sintomáticas melhoram ao longo das semanas, inclusive porque o material herniado pode reduzir de tamanho com o tempo.

O plano deve ser individualizado. Pode incluir controle da dor orientado pelo médico, fisioterapia com progressão de movimentos e fortalecimento, educação sobre posturas e atividades, além de retorno gradual à rotina. Repouso prolongado na cama, em geral, não é recomendado: manter-se ativo dentro dos limites toleráveis costuma favorecer a recuperação funcional.

Procedimentos intervencionistas, como infiltrações guiadas por imagem em casos selecionados, podem ajudar a reduzir temporariamente a inflamação e a dor irradiada. Eles não são obrigatórios para todos e não substituem a reabilitação. A indicação considera intensidade dos sintomas, duração do quadro, achados do exame físico e objetivos do paciente.

Também é necessário ajustar expectativas. O desaparecimento da dor pode não ocorrer de modo linear: há dias melhores e piores durante a recuperação. O acompanhamento permite revisar o diagnóstico e adaptar a estratégia caso a evolução não seja a esperada.

Hérnia de disco L5-S1: quando operar?

A cirurgia não é definida apenas pelo tamanho da hérnia na ressonância nem pelo número de dias de dor. Em geral, ela é considerada quando há déficit neurológico significativo ou progressivo, sinais de síndrome da cauda equina ou dor ciática incapacitante que persiste apesar de tratamento conservador bem conduzido por um período adequado.

Na presença de perda de força progressiva, a decisão pode ser mais precoce para proteger a função neurológica. Já em uma pessoa com dor intensa, mas sem déficit relevante e com melhora progressiva, pode ser razoável continuar o tratamento não cirúrgico sob acompanhamento. O contexto profissional, as demandas físicas, a capacidade de realizar atividades diárias e a resposta às medidas iniciais também fazem parte da decisão.

O procedimento mais comum é a discectomia lombar, frequentemente realizada por técnicas microcirúrgicas ou minimamente invasivas. O objetivo é remover a parte do disco que está comprimindo a raiz nervosa, preservando o máximo possível das estruturas ao redor. A cirurgia tende a oferecer alívio mais rápido da dor irradiada na perna quando existe indicação bem estabelecida; o efeito sobre a dor lombar isolada é menos previsível.

Como em qualquer operação, há riscos, entre eles infecção, sangramento, lesão de estruturas nervosas, vazamento de líquido ao redor dos nervos, persistência de sintomas e nova hérnia no mesmo nível. Esses riscos são discutidos de forma individual, juntamente com os benefícios esperados, alternativas e cuidados de recuperação.

O que esperar após uma cirurgia

A recuperação varia conforme o tipo de procedimento, o quadro neurológico antes da operação, a condição física e as exigências de trabalho. Em muitos casos, a mobilização começa precocemente, com retorno progressivo às atividades. Fisioterapia pode ser recomendada para recuperar mobilidade, condicionamento e confiança nos movimentos.

A cirurgia remove a compressão causada pela hérnia, mas não elimina automaticamente todos os fatores associados à dor lombar. Hábitos de movimento, fortalecimento, controle de peso quando necessário e retorno orientado às atividades ajudam a reduzir sobrecargas futuras. Não existe uma postura perfeita ou uma única regra que previna todos os episódios, mas a reabilitação consistente faz diferença na função.

Se a dor lombar desce para a perna, vem acompanhada de formigamento ou limita sua rotina, uma avaliação ortopédica da coluna pode esclarecer a causa e definir o caminho mais seguro. O foco deve ser aliviar os sintomas, preservar a função e indicar cirurgia somente quando os benefícios superam os riscos para aquele caso.

 
 
 

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Dr. Amir Daher, ortopedista especialista em joelho e coluna
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