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Dor Lombar Crônica: Bloqueio ou Radiofrequência?

A dor que persiste por meses pode mudar a forma de trabalhar, dormir, dirigir e até conviver. Em casos de Dor Lombar Crônica: Quando a Fisioterapia Não é Suficiente e é Hora de Considerar Bloqueio ou Radiofrequência, a pergunta mais relevante não é apenas qual procedimento fazer, mas qual estrutura da coluna realmente está causando os sintomas.

A fisioterapia, o controle medicamentoso quando necessário, a adequação das atividades e o acompanhamento médico fazem parte da primeira linha de cuidado para muitas pessoas com dor lombar. No entanto, quando existe limitação persistente apesar de um tratamento conservador bem conduzido, procedimentos intervencionistas podem ser considerados. Eles não são uma etapa obrigatória, nem substituem um diagnóstico preciso.

Por que a dor lombar pode continuar mesmo com tratamento conservador?

Dor lombar crônica é, em geral, aquela que permanece por mais de 12 semanas. Isso não significa que a coluna esteja necessariamente em deterioração contínua ou que todo quadro exija cirurgia. A dor pode ter origens diferentes, e identificar essa origem é o que permite indicar um tratamento coerente.

Entre as causas frequentes estão o desgaste das articulações posteriores da coluna, chamadas facetas; alterações nos discos intervertebrais; hérnia de disco com irritação de uma raiz nervosa; estreitamento do canal vertebral; disfunção da articulação sacroilíaca; fraturas por fragilidade óssea e, em alguns casos, condições inflamatórias. Uma mesma pessoa pode apresentar mais de uma alteração nos exames, mas nem todas serão responsáveis pela dor.

É por isso que uma ressonância magnética isolada não define uma indicação de bloqueio ou radiofrequência. Alterações degenerativas são comuns com o passar dos anos, inclusive em pessoas sem sintomas. A avaliação ortopédica deve relacionar a história clínica, o padrão da dor, o exame físico e os exames de imagem disponíveis.

Quando a dor impede atividades básicas, provoca afastamentos recorrentes, dificulta o sono ou limita a caminhada, vale reavaliar o diagnóstico e a estratégia terapêutica. Persistência do sintoma não é sinônimo de falha pessoal do paciente nem de que ele precisa suportar a dor indefinidamente.

Quando investigar com mais urgência

A maioria das dores lombares não representa emergência. Ainda assim, alguns sinais exigem avaliação médica rápida: perda de força progressiva nas pernas, dormência na região íntima, dificuldade para urinar ou evacuar, perda importante de controle urinário ou intestinal, febre associada à dor, perda de peso sem explicação, dor após trauma relevante ou histórico de câncer e infecção.

Dor intensa irradiada para a perna, acompanhada de formigamento ou fraqueza, também merece atenção, especialmente quando se agrava. Nesses casos, o objetivo não é somente aliviar o desconforto, mas verificar se há comprometimento neurológico que mude a conduta.

Bloqueio na coluna: diagnóstico e alívio direcionado

O termo bloqueio pode se referir a diferentes procedimentos. Em comum, eles envolvem a aplicação de medicamentos em uma região específica da coluna, habitualmente com orientação por imagem para aumentar a precisão e a segurança. Dependendo da suspeita clínica, podem ser realizados bloqueios de raiz nervosa, infiltrações epidurais, bloqueios das articulações facetárias, dos ramos mediais ou da articulação sacroilíaca.

Quando a dor desce pela nádega e pela perna, como ocorre em parte dos quadros de ciática causada por hérnia de disco ou estreitamento do canal, uma infiltração epidural ou bloqueio seletivo de raiz pode ser considerado. O objetivo é reduzir a inflamação ao redor do nervo e criar uma janela de melhora funcional. A resposta varia conforme a causa, a duração dos sintomas e o grau de comprometimento nervoso.

Já a dor predominantemente localizada na região lombar, pior ao estender ou rodar o tronco, pode estar relacionada às articulações facetárias em determinados pacientes. Nessa situação, o bloqueio dos ramos mediais pode ter também função diagnóstica. Se houver alívio significativo e compatível com a duração esperada do anestésico, isso reforça a hipótese de que aquelas articulações participam de forma relevante no quadro doloroso.

O bloqueio não deve ser entendido como cura da doença degenerativa, nem como resposta automática para qualquer dor nas costas. Em algumas pessoas, traz melhora importante por semanas ou meses; em outras, o efeito é parcial ou inexistente. Essa informação também é útil, pois ajuda o especialista a redefinir o diagnóstico e evitar tratamentos repetidos sem benefício real.

Dor lombar crônica: quando a radiofrequência pode ser indicada

A radiofrequência é um procedimento intervencionista usado, principalmente, quando há evidência de dor originada nas articulações facetárias e boa resposta prévia ao bloqueio diagnóstico dos ramos mediais. Ela atua por meio de calor controlado para interromper temporariamente a transmissão dolorosa de pequenos nervos que levam a informação dessas articulações ao sistema nervoso.

Não se trata de “queimar a dor” ou de corrigir o desgaste da coluna. A radiofrequência não reverte artrose, não recoloca um disco em sua posição e não é indicada para todos os tipos de dor lombar. Sua finalidade é reduzir a sinalização dolorosa em uma fonte específica, favorecendo a retomada das atividades e o manejo global da condição.

A duração do benefício é variável. Os nervos tratados podem se regenerar ao longo do tempo, e a dor pode voltar. Alguns pacientes permanecem bem por vários meses, enquanto outros têm alívio menor ou não atingem a melhora esperada. Por isso, a seleção adequada do caso é decisiva: a indicação baseada apenas na imagem, sem correlação clínica e sem bloqueio diagnóstico compatível, reduz a chance de um resultado satisfatório.

A radiofrequência costuma ser feita de forma minimamente invasiva, com anestesia local e, em situações selecionadas, sedação. A técnica depende de posicionamento preciso de agulhas guiado por imagem. O paciente recebe orientações individualizadas sobre preparo, medicamentos de uso contínuo e cuidados após o procedimento.

Benefícios, limites e riscos que precisam ser discutidos

Em pacientes bem selecionados, bloqueios e radiofrequência podem reduzir a dor, diminuir a necessidade de medicamentos e facilitar o retorno gradual à rotina. Esse ganho funcional costuma ser tão relevante quanto a redução da intensidade da dor. O objetivo realista não é prometer uma coluna “nova”, mas melhorar a capacidade de viver com menos limitação.

Como todo procedimento médico, há riscos. Podem ocorrer dor transitória no local da aplicação, hematoma, reação aos medicamentos, piora temporária dos sintomas, infecção e, raramente, lesão de estruturas nervosas. Pessoas que usam anticoagulantes, têm diabetes descompensado, alergias relevantes ou suspeita de infecção exigem análise cuidadosa antes da indicação.

Também existem limites clínicos. Se há compressão neurológica importante com perda de força progressiva, por exemplo, um bloqueio pode não ser a medida mais adequada. Da mesma forma, radiofrequência não costuma ser a escolha para dor irradiada por compressão de raiz nervosa decorrente de hérnia de disco. Em determinadas situações, a cirurgia de coluna pode ser discutida, mas apenas quando há indicação clara e após avaliação individualizada.

Como é definida a melhor conduta

A decisão começa por uma consulta detalhada. É necessário entender onde dói, há quanto tempo, o que piora ou melhora, se existe irradiação, formigamento, perda de força e quais tratamentos já foram tentados. O exame físico ajuda a diferenciar padrões de dor mecânica, articular e neurológica, enquanto radiografias, ressonância ou tomografia são solicitadas quando realmente contribuem para a decisão.

Também é preciso considerar idade, rotina profissional, nível de atividade, condições de saúde, uso de medicamentos e expectativas do paciente. Uma pessoa com dor facetária bem caracterizada pode se beneficiar de radiofrequência; outra, com alteração semelhante na ressonância mas dor de origem diferente, provavelmente não terá o mesmo resultado.

O tratamento da dor lombar crônica exige estratégia, não pressa. Quando o cuidado conservador não oferece melhora suficiente, bloqueios e radiofrequência podem representar alternativas seguras e úteis para casos selecionados. Uma avaliação especializada permite identificar a fonte provável da dor, discutir riscos e benefícios com transparência e definir um plano compatível com a sua necessidade de mobilidade e qualidade de vida.

Se a dor lombar persiste, limita sua rotina ou vem acompanhada de sintomas nas pernas, procure uma avaliação ortopédica. O diagnóstico preciso é o passo que evita tanto procedimentos desnecessários quanto o adiamento de um tratamento indicado.

 
 
 

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Dr. Amir Daher, ortopedista especialista em joelho e coluna
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